28 julho 2011

Ferreiro




Mais do que ermo,
Podre e de malcheiro,
As mãos desse ferreiro
De coração eterno.

Arma, produz o belo,
Sozinho tece,
Na ferrugem enaltece
O sangue que sai do cego.

Pensando, não pensa,
E seu trabalho continua
Desde quando amanhece.

No triste inverno, corta
A pele morta
De que não conhece.


Débora Cristina Albertoni

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