22 agosto 2016

Porque estou viva



Esperando saber quem eu sou
Sobrevivendo às pressões
Servindo os pratos de decepções,
Mas "não era para eu estar aqui"!

Lágrimas não se definem mais
Discutir não vale mais a pena
Sentir não vale mais a pena
Porque "não era para eu estar aqui"!

Sirvo o prato de sorrisos
De abraços e laços
Mas as mesmas palavras ouço no final:
"Não era para eu estar aqui"!

Me pergunte quem eu sou
Depois de tudo o que eu disse
Depois de toda a minha vida
Se "não era para eu estar viva"!

Agora pergunte qual a condição?
A condição de vida que me é imposta,
Porque? Porque então estou viva,
Se não é para viver a minha vida?!

Débora Cristina Albertoni

12 junho 2016

Delírio


Maldita mentira
Que mata aos poucos
Delira na mente
E consome a alma, que cala e consente.

Se o coração não mais me pertence,
Saídas não fazem mais raízes
E raízes não seguram mais,
A mente que mente a cada dia.

Cada dia mais o coração aperta,
Cada dia mais as lágrimas o rosto contorna,
Pois no final de tudo,
É pra ti que sempre meu coração retorna.

Débora Cristina Albertoni

14 dezembro 2015

Estranheza



Lançados, atados e sem resposta,
Que ao fim me condena do tédio 
Criado na minha mente insana
De bipolaridades e aposta.

Quer entender essa estranheza?
Ao passo que tudo o que passo destrói
Em mim mesma os pesares,
De momentos, fins, começos...

Sou feita de momentos,
Não sou prioridade, nem piedade,
Não sou sutileza, nem toda frieza
Tal qual friamente me julgam.

Preciso que me aceitem de quem maneira?
Maneira correta, estranha, momento,
Passado, frustrado,
Real ou inventado?

Quero o livre, o frio, o quente,
O pesar, o amor, a vida,
Tudo o que me concerne
Tudo o que me destrói, constrói e em mim faz-se viver.

Débora Cristina Albertoni



23 fevereiro 2015

Triste Obsessão



A solidão invade,
Um ser prestes a expressar aos berros
Aquilo que, como pregos,
Machucam com majestade.

As palavras não saem fáceis
Sem serem explodidas,
E infelizmente, mal ditas,
Nos distúrbios impensáveis.

Ao interior gritam e choram
Hormônios, frustrações,
Criadas e preditadas.

Triste entender que afinal,
Com essa obsessão,
Você me perde entre os dedos das mãos.


Débora Cristina Albertoni

11 janeiro 2015

Dramas Eternizados



Nos momentos da vida,
Sutis, tenebrosos ou mais,
Somem os preceitos do real
Dignos de queda.

Rostos e momentos passam
De perto, ao longe
Como sombras num passo,
Na vinda, na ida, num rastro.

Caídos momentos, sobram lembranças
Dos traumas, das fissuras,
Da eterna alma tenebrosa que cogitamos
Ao nosso futuro dramático.

O que seria da vida se não o que fazemos dela?
Porque drama e trauma
Por momentos passageiros
Que eternizamos na alma?

Débora Cristina Albertoni


26 outubro 2014

Prato de miséria



Aos que precisam explicar,
Energia, visão, audição e escrita,
Surge do "nada" para alguém
Onde todos tem uma visita.

Cubro meus olhos esperando o fogo,
Caindo as cinzas de um mundo velho
Para um mundo novo.

Criastes a fantasia
Inspirada nos preceitos extras
De um ideal não existente
Para um possivelmente ilusório.

Clara chama do conhecimento,
Dê o que as pessoas acreditarem,
E sirva da miséria
Um prato de ilusões.

Débora Cristina Albertoni

10 maio 2014

Meras fantasias



São poucos os olhares que me fascinam
E poucas as pessoas que me convém,
Porém, entre tantos olhos e pessoas,
Que é que me faz bem?

Todos os dias as pessoas pensam em tantas coisas,
Que me sinto um barco solitário
Na diferença da perspectiva
Criada por babacas sociais.

Dentre tantas músicas inspiradoras,
Imagens de outra vivência me agrada
E de outros lugares,
Melhores daqueles onde vivo e sobrevivo.

Cristais de novos dias,
E a esperança cresce,
Porém, uma tristeza me invade
Por saber que algumas coisas são meras fantasias.

Débora Cristina Albertoni